A mãe na quarentena: Como ajudar os filhos e como evitar o stress no lar

Ser mãe é uma das tarefas mais importantes e desafiadoras da vida, ainda mais em época de quarentena. Li uma frase há algum tempo que dizia: “Ser mãe é pensar em fugir e, no plano de fuga, incluir os filhos, que eram o motivo da fuga”, achei muito verdadeira a frase naquela época e, tão atual, para o momento em que estamos vivendo em isolamento social. Nunca vivemos isso antes, momento cheio de incertezas, angústias, estresse, ansiedade, uma avalanche de emoções, de tarefas, responsabilidades acumuladas ao mesmo tempo, no mesmo local para uma mesma pessoa: a mãe. Mas vamos lá, respire! Vai passar!

Você pode se perguntar: como evitar essa situação? Nem sempre é possível evitar os sintomas físicos do estresse/esgotamento emocional pois eles são reais. Porém, podemos colocar em prática algumas dicas para vivermos melhor o nosso hoje em família:

ACEITE O QUE VOCÊ NÃO PODE MUDAR – algumas coisas são do que jeito que são e lutar com elas deixará mais desgastada emocionalmente.  Gosto de usar o exemplo da chuva, quando está chovendo eu posso olhar para a chuva e lamentar: “ah eu não gosto de chuva, a chuva me atrapalha a fazer as coisas normalmente”. Porém, o fato de “reclamar da chuva” vai pará-la? Sabemos que não, pois não temos controle sobre a chuva, mas quem sabe nos desgastamos emocionalmente tentando mudar algo que não está sob o nosso controle. Aceite! E, toda chuva/tempestade passa, no tempo dela, mas passa. Foque nos problemas que podem efetivamente ser resolvidos e que estejam sobre o seu alcance.

Tem um pensamento de uma escritora norte-americana que diz: “Não permitais que as perplexidades e tristezas da vida diária aflijam vosso espírito e vos entristeçam o semblante. Se o permitirdes, tereis sempre alguma coisa que vos atormente e aborreça. A vida é o que dela fazemos, e encontraremos o que buscarmos. Se olharmos as tristezas e perplexidades, se estamos de mau humor de molde a ampliar pequenas dificuldades, encontraremos quantidades delas para nos absorver os pensamentos e a conversação”. (O Lar Adventista, págs. 426, 427).

Olhe para cada situação e procure encará-las como desafios a serem superados com criatividade e, se possível, bom humor.

VALORIZE O QUE REALMENTE IMPORTA – Podemos aproveitar esta fase para nos conectarmos verdadeiramente conosco mesmos, com as pessoas com quem moramos e com nossos filhos. Fortaleça os vínculos, faça com que esse momento seja de interação e construção de vínculos fortes, mostre o quanto seus filhos são amados e respeitados. Valorize o que realmente importa: relacionamentos/pessoas, assim, nos tornamos mais fortes para lidar com o estresse e superar as dificuldades. Cuide de si mesma, tire um tempo do dia para praticar pequenos rituais de cuidado de si, do corpo e da mente. Momento em que você se cuida com carinho, pois você é importante e seus filhos precisam ver e entender isso.

ESTEJA PRESENTE! VIVA O HOJE!  Foque no que está acontecendo no momento. Você só tem hoje para viver ao lado dos seus filhos, da sua família, pois o “ontem” você não tem acesso a ele mais. O “amanhã” você também não pode acessá-lo, restando apenas o “hoje” para vivermos. É de vários “hojes” que a vida se faz, mas, é nesse hoje que você tem para estar junto e, no caminho, sorrir, chorar, aprender, tocar e amar seus filhos, sua família, as pessoas ao seu redor. Vale recuperar brincadeiras que não se faz mais, deixar um pouco a tecnologia, que é útil, sim, mas não precisa ser o único recurso para lidarmos com a quarentena. A parte boa do confinamento é o resgate do contato, do olho no olho, da interação entre pais e filhos. Aproveite cada “hoje” que você tiver com seus filhos.

VOCÊ É UM EXEMPLO! Lembre-se, seu filho(a) aprende pelo exemplo. Estabeleça um diálogo, ouça-o, respeite a opinião dele, aprenda mais sobre a faixa etária que seu filho está. Valorize-o. Elogie-o. Mesmo em quarentena, o limite é um ato de amor. Cada família deve ter regras estabelecidas e claras. Conscientize quanto ao permitido e o não. Conversem sobre as recompensas ou perdas de privilégio. Delegue responsabilidades em casa. Envolva-os em suas atividades. Faça contratos familiares. Nossos filhos precisam de pais emocionalmente disponíveis, limites claramente definidos, responsabilidades, nutrição equilibrada e sono adequado, atividades físicas (estar em movimento apesar do isolamento).

Quem sabe você, que está lendo até essa linha do texto, pode estar pensando o seguinte: “oh, céus!, Oh vida!, Oh azar!”, fiz tudo errado até agora, me estressei, gritei, me esgotei e não dá para voltar atrás e concertar as coisas… não se preocupe, se você está respirando, tem vida, ainda há tempo de fazer no seu “hoje” a diferença com você, por você e para com a sua família. Seu filho foi colocado em seu lar por um desígnio de Deus.

Nós, mães, estamos deixando marcas e construindo lembranças em nossos filhos. E como será que nossos filhos se lembrarão de nós? Que tipo de lembranças terão da convivência espiritual que tiveram conosco? Repartir a fé é o melhor presente que podemos dar a nossos filhos. Vimemos a melhor época para colocar em prática esse verso bíblico: “Tu as inculcarás a teus filhos [Deus ordena], e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te “. (Deuteronômio 6:7).

Desafio você, mãe, a viver o seu hoje mais leve, mais feliz, mais perto dos seus filhos/família e mais perto de Deus. Fácil não é, porém, é possível pois é Deus quem te fortalece para enfrentar qualquer situação.

Autora do artigo:
Ellen Camargo de Sousa

Ministério da Mulher  – União Sudeste Brasileira
Igreja Adventista do Sétimo Dia

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