Papo de homem: QUEBRANDO O DUPLO SILÊNCIO

Alguns temas parecem ser mesmo um tabu. Se não declaradamente são deixados de lado pela

indiferença.

O puritanismo pseudo cristão nos inflama em temas de sexualidade, gênero… Claro em nome da família esse debate segue na pauta. Nada mais correto do que salvar a família – é a justificativa da liderança vigente. Para justificar de forma distorcida a quem declare que as mulheres devem ser submissas aos esposos e chegam a citar a bíblia.

E em nome da família indico uma gaveta que estranhamente não faz parte dos nossos diálogos: “Mulher, por que choras? (…) João 20: 13”. A frase faz parte do diálogo de Cristo e Maria. A sensibilidade de Cristo revela a real postura de um cristão diante das lágrimas. João em Apocalipse declara Jesus prometeu que “ele enxugará dos olhos toda a lágrima” (…) verso 21:4. Quantas mulheres choram escondidas, humilhadas e violentadas dentro de casa.

Quantas mulheres choram nos corredores da igreja e são repreendidas. Como Eli repreendeu Ana revelando a falta de sensibilidade em olhar as lágrimas e demonstrar preocupação real. Abrindo aspas: “Antes que sintam o desejo de dizer que a igreja tem um Projeto desde 2002 com objetivo de QUEBRAR O SILÊNCIO. Não quero frustrar ninguém, mas igreja tem muita coisa boa que existe, mas nem todos se comprometem”.

Ex: Lição de Escola Sabatina. Existe nem todo mundo estuda. Às vezes copia-se respostas na página da sexta ou ficamos nos comentários prontos. Perdendo a oportunidade de uma experiência pessoal.

Fechando aspas.

“O assunto da violência doméstica é urgente, relevante. Sim, violência doméstica existe dentro do ambiente de igreja. Pessoas que frequentam igrejas, muitas vezes, podem não ser cristãs comprometidas com a ética cristã. Eram antes denominados lobos em pele de cordeiro”. Um casamento não se deteriora a ponto de ocorrer agressões da noite para o dia: “O marido [agressor] sempre trata de isolar a mulher que ele quer afastar de um convívio social, espancar ou agredir. Existe um tipo de violência e abuso psicológico que cria o berço para as violências físicas que se manifestam, muitas vezes, dentro de casamentos”.

Violência contra mulher se define pelos atos que causam mal a mulher. Eles podem ser atos de violência física e emocional. Fruto de atitudes que causam desequilíbrio psicológico e emocional, que revelam controle desproporcional, gerando impedimento social ou de desenvolvimento pessoal – proibindo que mulher estude ou trabalhe. Embora a Bíblia Sagrada estipule padrões altíssimos para o marido cristão, isso não é garantia de que agressões não ocorram entre crentes: “Isso acontece em igreja?”

Tenho certeza que sim. Mas essa não é a grande questão, porque em igreja acontece gente que sonega imposto, fica com o troco, infidelidade inclusive na modalidade virtual, assassinato, assalto, gente que mente, faz intriga, rouba ao Senhor, gera contenta entre os irmãos, faz fofoca… tudo que vai contra a própria índole cristã”.

“A gente tem que ficar de olho aberto, se envolver como homens, educar as nossas filhas e filhos, ensinar ainda na infância conforme o conselho do sábio o caminho correto. Na sabedoria popular também encontramos uma frase empoeirada. E de pequenino que se torce o pepino. As crianças precisam entender que autoridade da mãe se equivale a autoridade do pai, que meninos não podem subjugar as meninas. E os pais devem dar esse tipo de exemplo nas relações domesticas. Orientar meninos e meninas essa relação de respeito e equilíbrio desde o namoro.

Cabe à comunidade cristã a liderança deixar claro que a igreja na compactua e nem é corporativista em casos de homens com esse tipo de comportamento em posições representativas da igreja. Quantas vezes nas relações da comunidade cristã os homens são devidamente cumprimentados e as mulheres presente às vezes ao lado do esposo são tratadas com indiferença. A quem uma mulher que sofre em um casamento vai recorrer se o tratamento dentro da Comunidade da Igreja não lhe concede a devida atenção, não lhe oferece o ouvir.

Não sei quantos chegaram até aqui na leitura. Mas se você veio até aqui. Continue é importante para o nosso papel de homem em nossa comunidade e em nossa casa. A bíblia não se cala: “há muito o que se dizer sobre família no Novo Testamento”, citando Colossenses 3:19: “Maridos, que cada um de vocês ame a sua esposa e não a trate com amargura”.

“O amor à mulher se torna uma das grandes características do cristianismo. Hoje, para você, casar por amor é o normal? Essa inclusive deveria ser a prática. Casar para reparar uma situação de gravidez não significa amar. Significa buscar reparo. Com tudo Deus por ser amor abençoa sim, se atitude for o reflexo de coração com amor, que compreende a necessidade de proteger e servir essa mulher”.

Mas as relações hoje têm características do nosso tempo, fragilizadas pelo ego, quando acaba o amor no casamento é uma coisa terrível? Isso existe por causa daquilo que o cristianismo incutiu na cultura, porque casar por amor ainda permanecer casado é contracultura já que temos inúmeras justificativas para terminar um casamento. No passado as mulheres eram máquinas de reprodução, em algumas culturas o prazer masculino era parte do papel que cabia às mulheres. Pensem amigos se casamos e fizemos votos públicos assumindo perante

Deus com a sociedade como testemunha, devemos publicamente satisfação sim sobre como tratamos nosso cônjuge. Esse é um dos motivos das agressões serem secretas por que publicamente existe o status. E entre os professos cristãos isso tem certa recorrência entre a preocupação com imagem pública e a realidade doméstica sem máscaras.

“Não à violência contra as mulheres” – dentro da igreja é o que alguns insistem em afirmar. Todas as mulheres devem saber os tipos de violência que as atingem. Esse é um tema que precisa fazer parte da pauta do dia. Devemos denunciar, não é um assunto para ser tratado de forma a esconder os fatos. A falta de denuncias segue o constrangimento, o tabu e o medo de represálias. A prática da violência segue a tendência silenciosa nos aspecto comunitário. O aconselhamento em geral de fazer vista grossa. Denunciar para quem se somos uma liderança masculina na maioria.

Observe, fique de olho. A carência afetiva é um fator relevante que prepondera em um relacionamento abusivo.

As mulheres devem ter autoestima elevada e não devem aceitar serem desrespeitadas, humilhadas ou menosprezadas.

A violência psicológica e a patrimonial são sutis e se concretizam de modo silencioso, perverso e degradante. Mulher forte emocionalmente não aceita violência.

Diga “NÃO à Violência contra as Mulheres”. Enfim meu alerta final. “Deus não escuta oração de quem não honra sua esposa. Deus não escuta oração de marido que não trata sua esposa como alguém mais frágil. Deus não escuta oração de marido que agride, bate, machuca e que humilha”, segundo o texto de Pedro apóstolo… 1 Pedro 3:7: “Maridos, honrem sua esposa. Sejam compreensivos no convívio com ela, pois, ainda que seja mais frágil que vocês, ela é igualmente participante da dádiva de nova vida concedida por Deus. Tratem-na de maneira correta, para que nada atrapalhe suas orações”.

Não avançaremos enquanto a violência contra mulheres ou, de forma mais ampla, a violência de gênero e doméstica, contar com a anuência de setores expressivos da sociedade entre eles a igreja. A violência contra mulheres é um ato covarde, vil, repugnante e que não deve ser aceita e nem justificável sob NENHUM argumento.

Atos 2 descreve a igreja tão desejada. Onde a ideia de comunidade e amor ao próximo, forma o alicerce de uma família saudável. Essa igreja atraía o próximo com simpatia dia a dia é o que revela o verso 47. Não vejo como ser simpático agredindo a esposa ou filhos. Tem muito agressor escondido atrás do “papel” de bom cidadão, de “homem de família”!

Destaque na comunidade cristã. Um tipo de herói da honra e dos bons costumes. Herói de verdade é definido por: “Proteger e Servir”. Além de esposos temos de forma velada filhos também desonrando as mães. Quebrar o silêncio não é orar é denunciar.

Nós homens precisamos também quebrar o silêncio e dialogar sobre esse tema tão relevante e sério. Cabe aos homens quebrar o silêncio. Afinal somos a homens que se apresentam ao mundo como seguidores de Cristo. Mas seguir a Cristo não é um ato de declaração. E um ato de ação, de assumir um estilo de vida que ama, respeita e cuida.

Deus abençoe cada um de vocês.

obs: Quebrar o SILÊNCIO é uma necessidade…

Ministério da Mulher  – União Sudeste Brasileira
Igreja Adventista do Sétimo Dia

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